MUNICÍPIO DE CUNHA

A primeira incursão do homem branco na região de que se tem notícia ocorreu em 1597, quando partiu do Rio do Janeiro uma expedição chefiada por Martim Correia de Sá. A expedição, de cerca de 700 portugueses e dois mil índios, desembarcou em Paraty e galgou a Serra do Mar pela antiga Trilha dos Guaianás para combater os índios Tamoios, que estavam unidos com os franceses na luta contra os portugueses.

A Estância Climática de Cunha tem suas origens por volta de 1695. Nessa época, muitos aventureiros subiam a serra pela trilha dos Guaianás com destino ao Sertão de Minas Gerais, atraídos pela notícia de que havia ouro e pedras preciosas naquela região. Com isso, Cunha, que era conhecida como “Boca do Sertão”, tornou-se parada obrigatória para descanso e reabastecimento das tropas.

Já em 1730, os viajantes que se fixaram na região construíram um povoado onde a família portuguesa Falcão ergueu uma capela chamada Sagrada Família. Devido à contribuição desta família para o povoado, durante muito tempo a cidade foi chamada de Freguesia do Falcão.

No início do século XVIII, a grande movimentação de tropas pelo local atraiu bandidos e saqueadores. Muito ouro que vinha de Minais Gerais para embarcar em Paraty, rumo a Portugal, foi desviado. Devido à necessidade de se criar um posto para vigiar o local, surgiu a Barreira do Taboão, localizada entre a Freguesia do Falcão e Paraty. Com o declínio do ciclo do ouro, muitos desbravadores acabaram ficando na região atraídos pelo clima e pela fertilidade do solo. Essa intensa movimentação gerou um rápido desenvolvimento local.

Em 15 de setembro de 1785 o povoado é elevado à vila, com o nome de Vila de Nossa Senhora da Conceição de Cunha, em homenagem ao capitão general Francisco da Cunha Menezes, governador da Província de São Paulo. Nesse período as antigas trilhas foram calçadas e ampliadas para que as tropas pudessem transportar a maior riqueza do século XIX, o café. A autonomia política veio em 1858, ano em que foi elevada à categoria de cidade, e em 1883 tornou-se comarca. Logo a seguir em 1888, com a libertação dos escravos, veio o declínio do ouro negro na região.

Em 1932, Cunha foi palco de batalha na Revolução Constitucionalista, quando um batalhão da marinha composto de 400 praças subiu a Serra do Mar com a intenção de chegar a São Paulo pelo Vale do Paraíba. Os combates no município duraram três meses e nesse período a cidade conheceu seu herói e mártir, o lavrador Paulo Virgínio, que foi morto por não revelar a posição das tropas paulistas. Em homenagem a esse ilustre cidadão, foi construído um monumento às margens da estrada Cunha-Paraty.

Em 1945 a prefeitura entrou com pedido de transformação do município em Estância Climática e no dia 28 de outubro de 1948 foi promulgada pelo governador de São Paulo a lei nº. 182, convertendo a cidade de Cunha em Estância Climática. Em 1993, Cunha assumiu sua identidade turística e, através do seu Conselho de Desenvolvimento, realizou sua primeira Temporada de Inverno, com calendário de eventos e roteiro das atrações turísticas.

Localizada no alto Paraíba, o município de Cunha ocupa 1.410 km² de colinas e montanhas, aninhada entre as serras da Quebra-Cangalha, da Bocaina e do Mar. Limita-se com Ubatuba, São Luiz de Paraitinga, Lagoinha, Guaratinguetá, Lorena, Silveiras, Areias, São José de Barreiro no estado de São Paulo e Angra dos Reis e Paraty no estado do Rio de Janeiro.

A altitude media é de 1.100 metros e os pontos mais altos são o Pico da Pedra da Macela (1.840 metros) e o Pico do Cume (1630 metros). O clima é temperado e seco, com variações de temperatura de –3 a 15 ºC no inverno e de 15 a 25 ºC no verão.

População:
21.866 habitantes (12.167 – zona urbana / 9.699 –zona rural) fonte: IBGE Censo 2010

Área total do município:
1.407,319 Km²

Altitude média:
1.100 m - ponto culminante: 1.840 m (Pico da Pedra da Macela)

Clima:
temperado seco

Áreas verdes protegidas:
- Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Cunha
- Parque Nacional da Bocaina

Limites:
Norte - Guaratinguetá e Lorena
Sul: Paraty/RJ e Ubatuba
Leste - Areias, Silveiras e São José do Barreiro
Oeste - Lagoinha e São Luíz do Paraitinga

Localização:
entre as Serras do Mar, da Bocaina e Quebra-Cangalha

Bacia hidrográfica:
Rios Paraitinga e Paraibuna

Economia:
Pecuária leiteira e de corte - cultura do milho, feijão, batata
Produção de pinhão, cogumelos Shiitake e peixe (trutas)
Turismo: artesanato local e cerâmica de arte

Folclore:
congada, Moçambique, catira

Festas religiosas:
Festa do Divino, Semana Santa, Corpus Christi, Padroeira da cidade – Nossa Senhora da Conceição, 08 de dezembro

Festas regionais e culturais:
Festival de Verão e Fuscunha, Carnaval de rua, cavalaria de São Benedito, festa do pinhão, festival de inverno “Acordes na Serra”, festival gastronômico do Cordeiro Serrano, Expocunha, Festival de Cerâmica e Natal Luz

Riquezas naturais:
Pico da Pedra da Macela, Cachoeiras, Parque Florestal (remanescente da mata atlântica), Trilhas (Caminho do Ouro – Estrada Real).

Última parada dos tropeiros que percorriam a Estrada Real antes de chegar ao porto de Parati, Cunha é uma região de muitos encantos. Estação climática situada a 45 km de Parati e à mesma distância de Guaratinguetá, em meio à Serra do Mar e da Bocaina, é o município que conserva a maior reserva de Mata Atlântica do país. O que vale dizer que ali se encontram dezenas de cachoeiras, milhares de nascentes e de riachos que correm sobre pedras e uma vegetação abundante rica em ipês, manacás, quaresmeiras, sibipirunas e um mundo de árvores floridas que abundam na Mata Atlântica.

Cunha é também um importante pólo de cerâmica artística na América do Sul. Ali se instalaram, a partir de meados da década de 1970, ceramistas de formação japonesa que trouxeram para o Brasil uma técnica milenar de cerâmica artística, queimada a lenha em altíssima temperatura, em fornos chamados Noborigama. Muito atuantes, eles levaram adiante seu trabalho e formaram jovens discípulos que mais tarde abriram seus próprios ateliês.

Assim, a região tem hoje cinco ateliês de Noborigama em permanente funcionamento, um número que não se encontra mais nem no Japão (lá não há mais espaço para plantar lenha para queimar). Na década passada ceramistas de outras técnicas foram se radicando no município, que conta hoje com mais de vinte ateliês de cerâmica artística, produzindo peças de alta qualidade, nos mais variados estilos. Essa peculiaridade atrai, durante o ano todo, turistas de diversas regiões do país.

Em Cunha, é possível hospedar-se bem e comer bem. São mais de 40 pousadas com os mais variados tipos de acomodação e vários restaurantes que servem desde o trivial variado da comida caipira com influência mineira até a cozinha do interior da França, além de fondues ou receitas à base de trutas, pinhão e cogumelos shiitake, dos quais a região é grande produtora.

Outro grande produto da região é o sossego. A cidadezinha, pacata, não tem um único semáforo. Se alguém parar o carro para dar algum recado à comadre na calçada, quem está atrás espera pacientemente. Sob o céu azul e respirando um ar absolutamente puro, o visitante faz seus passeios às grandes cachoeiras, ao Parque Estadual da Mata Atlântica ou à Pedra da Macela, de onde se avistam 180 km de litoral, cuidando apenas para não atropelar vacas e galinhas pelo caminho.

Cunha começou a se constituir no final do século XVII como um local de parada e descanso de tropeiros. Durante o século XVIII o povoado que ali surgiu teve grande desenvolvimento, graças à movimentação de tropas que traziam o ouro de Minas para ser exportado para Portugal pelo Porto de Parati. Esse povoado, então, foi elevado à categoria de Vila e as trilhas que levavam ao porto foram calçadas pelos escravos que já estavam no país, trabalhando no desenvolvimento do Ciclo do Café, também exportado por Parati. A importância dessa atividade econômica, que foi fonte de imensa riqueza para o país no século XIX, trouxe grande desenvolvimento à região. Ainda hoje há remanescentes das trilhas construídas pelos escravos, que podem ser visitadas pelos turistas.

Em 1858 a Vila de Nossa Senhora da Conceição de Cunha alcançou a categoria de cidade mas, em 1888, com a libertação dos escravos, a atividade cafeeira entrou em declínio e Cunha começou a perder a importância que tivera até então na economia do país. O relativo isolamento a que foi submetida a partir daí é provavelmente uma das razões pelas quais a região conservou, até hoje, seu ar pacato e a lembrança de suas tradições religiosas e caipiras.

Anos mais tarde, durante a Revolução Constitucionalista de 1934, Cunha voltou a receber a atenção do país. Por três meses os soldados paulistas combateram uma tropa da Marinha que pretendia chegar a São Paulo atravessando o Vale do Paraíba.

Finalmente, em 1948, a cidade recebeu do Governo Estadual o status de Estância Climática.

Texto: Ana Maria Sanches Tonussi